O Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV (Papilomavírus Humano) – celebrado em 4 de março pela Sociedade Internacional de Papilomavírus (IPVSoc) – reforça a importância da prevenção e da detecção precoce da infecção como estratégias fundamentais para reduzir os impactos associados ao vírus. A data também chama atenção para a segurança e a eficácia da vacina contra o HPV.
Alguns tipos do vírus estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de cânceres do colo do útero, vulva, pênis, ânus, boca e garganta. “O HPV está presente em mais de 99% dos casos de câncer do colo do útero, sendo considerado seu principal fator causal”, explica a oncologista Débora Porto, diretora médica do Núcleo de Oncologia do Agreste (NOA), em Caruaru, Pernambuco.
O HPV é transmitido por meio do contato direto com a pele e mucosas, principalmente nas relações sexuais, sendo uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais frequentes. O uso de preservativos é uma medida fundamental de prevenção e reduz significativamente o risco de transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. No entanto, como o vírus pode ser transmitido pelo contato com áreas não cobertas pelo preservativo, a vacinação atua como uma estratégia complementar e indispensável de proteção.
No Brasil, a cobertura vacinal contra o HPV permanece abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A vacina apresenta maior eficácia quando administrada antes do início da vida sexual, pois previne a infecção pelos principais subtipos oncogênicos do vírus. No Brasil, a vacinação contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, atualmente em esquema de dose única.
Como estratégia de resgate vacinal, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram imunizados na faixa etária recomendada também podem receber a vacina na rede pública. Além disso, pessoas com imunossupressão — incluindo quem vive com HIV/Aids, pacientes oncológicos e transplantados têm direito à vacinação pelo SUS até os 45 anos de idade, com esquema de três doses. Na rede privada, a vacina pode ser aplicada mediante prescrição médica.
A infecção persistente por determinados subtipos de HPV pode levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e câncer. Como não há tratamento específico capaz de eliminar o vírus, o acompanhamento médico é fundamental para identificação e tratamento precoce das lesões. “O diagnóstico desse tipo de câncer é feito através do exame Papanicolau, que identifica lesões precursoras do câncer, que podem ser tratadas”, pontua.
O Ministério da Saúde recomenda que o rastreamento seja realizado por mulheres a partir dos 25 anos, podendo ser iniciado antes, conforme o início da vida sexual. Para os demais tipos de câncer associados ao HPV, não há exames de rastreamento de rotina. Assim, diante de qualquer sinal de lesão na região oral, peniana ou anal, a recomendação é procurar avaliação de um profissional de saúde, como orienta a diretora médica do NOA.
Foto: Reprodução/Internet

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