“Se alguém tem sede, venha a mim e beba” [João 7.37] Venho a ti, Mestre das parábolas, com sede de poesia. Viajei por compêndios exatos. Perambulei por pensadores herméticos. Li e reli. Nos recessos da alma permaneço, porém, com sede. Entardeço na vida. Em meio à carência de delicadezas, prometo prestar mais atenção em tuas estórias, Mestre da narrativa. Preciso escutar o inaudível. Dissecar, analiticamente, tudo não conduz ao mistério. Procurar solucionar o inescrutável, exaure. Só a poesia leva ao arco-íris do devaneio. Só nas palavras vestidas de alegoria se percebem os meandros do eterno. Anseio por meditar; ruminar no insólito e sobrevoa as nuvens. Ao contemplar o mundo muito do alto verei santos e vilões, heróis e tímidos, damas e prostitutas como uma só humanidade. Abandono a meta de solucionar paradoxos. Admito, Mestre da imaginação, que o reino pertence aos pequeninos; só eles absorvem a verdade com o coração desarmado. Devo sentar mais vezes com crianças até in...