"– Excelência, o senhor, que costuma tirar proveito de tudo, olhe aqui um canteiro inútil. Seria mais proveitoso plantar saladas que cultivar flores. – Mme. Magloire – respondeu o Bispo –, a senhora está muito enganada. O que é belo é tão útil como o que é simplesmente útil. E acrescentou depois de uma pausa: Talvez até mais." (Bispo Dom Bienvenu em Os miseráveis). A passagem acima foi escrita pelo francês Victor Hugo e nos apresenta uma concepção acerca do Belo que há alguns séculos se tornou obsoleta. Percepção que abarca a beleza com valor tão importante quanto a verdade e a bondade, algo que nos conduz aos clássicos, em Aristóteles, bem como rememora os conceitos de Tomás de Aquino. A perspectiva de beleza relacionada ao transcendental tem cedido espaço a uma carga ideológica, assim, passou-se a digerir a visão de que a arte deve ser, ou é, fundamentalmente, transgressora. Nesse aspecto, Ângelo Monteiro nos informa, em Arte ou Desastre, que “A negação de valores...