Em memória de João Antonio Tinhas quatro ou cinco anos. Eu, seis ou sete. Dois anos e dois meses de diferença. A vida nos colocou como vizinhos. Éramos quase como irmãos. Voltava da escola e já sabia que, em breve, tu me chamarias à porta. Ou iria eu até tua casa. Brincadeiras, leituras, músicas, conversas faziam parte desse repertório diário. – Até breve, meu amigo! – era mais ou menos assim que nos despedíamos. Sabíamos que o outro estaria lá. E assim foi por anos. Todos os dias. Não me lembro quando foi o último “até breve”. Talvez a faculdade, talvez o trabalho… outros compromissos, outras rotinas… o tempo não era o mesmo… “Não vou nem chamá-lo; ele não estará em casa”, era o que eu pensava ao passar em frente a tua casa. E tu pensavas o mesmo diante da minha… Isso jamais abalou nossa amizade. Podíamos não estar em casa; estávamos presentes, a despeito disso. Nos momentos fortuitos em que nos víamos, o sentimento era o mesmo. G...