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Artigo - Maria continua procurando um abrigo... Por Oscar Mariano

Há mais de dois mil anos, uma mulher percorreu por várias hospedarias para ter seu filho, mas todas estavam ocupadas, e o menino nasceu numa estrebaria. Para quem conhece a história do nascimento de Jesus, sabe o quanto Maria andou e o enredo final. Mas em Caruaru, o que muitos não sabem, é que ainda hoje muitas “Marias” sofrem, padecem para ter seus filhos e percorrem muitos quilômetros.



Essa semana uma amiga passou por uma experiência parecida com a de Maria, mãe de Jesus. Está com trinta e oito semanas de gestação, e o seu médico achou por bem, realizar o parto dela antes dos nove meses. Mas o que Maria não sabia, é que teria muitas surpresas desagradáveis. Pois bem, ao chegar na Casa de Saúde Bom Jesus, ficou sabendo que lá, as crianças só nascem de parto natural, onde ela presenciou outras “Marias”, no mesmo sofrimento ou pior. Mulheres que ficam indo e vindo para casa, pois os médicos ficam “empurrando” remédios para estimular a dilatação, e muitas vezes a gestante passa uma semana ou mais de sofrimento. Como não ela pode ter a criança normal, foi encaminhada para FUSAM, mas ao chegar lá, teve uma surpresa, pois foi informada que as mulheres de Caruaru, não podem ter seus filhos ali e a solução seria uma transferência para outra cidade.

E assim fizeram, encaminharam Maria para o Hospital da Mulher em Recife, saindo de Caruaru às 20h30 com a esperança de ter seu parto realizado, depois de um dia inteiro de idas e vindas nos hospitais de Caruaru. Mas ao chegar em Recife e realizar toda aquela bateria de exames, o médico aconselhou que ela aguardasse mais uma semana. Então Maria, volta para Caruaru, sua terra natal, onde desejaria ter sua filha, mas infelizmente não pode por causa da burocracia e das normas que saíram da cabeça sabe-se lá de quem. Agora está em casa, indo todos os dias ao hospital realizar exames, para tentar adivinhar a hora certa de sua filha nascer.

É lamentável ver uma situação dessa em Caruaru, uma cidade com quase quatrocentos mil habitantes, a maior cidade do interior do Estado de Pernambuco, uma economia forte, onde o município possui um orçamento anual de UM BILHÃO (R$ 1.000.000.000,00), e as mulheres sofrem para terem seus filhos. Uma cidade que não possui um hospital público com UTI neonatal, não tem um hospital especializado para mulheres, entre tantos outros problemas na saúde... E o que mais revolta, é você passar por todo a espera dos nove meses, aquela expectativa de ter seu filho nos braços e na hora mais desejada, precisar tê-lo em outra cidade, causando um transtorno para toda família. Pois na maioria das vezes, a família não pode acompanhar a gestante, separando assim, os parentes num momento de alegria e júbilo.

Não sei quais os motivos dessas normas, até porque não sou médico, mas sou pai, me coloco no lugar do outro e sei que nessa hora do nascimento de um filho (a), queremos todos os familiares e amigos por perto. Mas infelizmente na cidade de Caruaru, esse desejo está sendo tolhido de muitos caruaruenses. Lamentável!

Oscar Mariano

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