Dentre a maior realização que um mestre, ou um pai pode gozar é o de ver seus aprendizes e filhos seguirem o caminho que lhes foram ensinados. As conquistas dos aprendizes são tão ou mais comemoradas que as próprias. É desfrutando desse sentimento de realização que apresento como professora e mãe uma das primeiras crônicas de Luiza Rocha. Emocionem-se comigo:
Amor de uma vida toda
Em uma tarde de um sábado qualquer, encontrei-me sozinha caminhando à beira-mar, apreciando no horizonte uma mescla quase que toda azul, entre o céu e as águas. Ali, senti como nunca antes o valor que tinha aquela brisa suave nos cabelos e a sensação da areia fina e clara nos pés. Passei a observar algumas crianças que haviam se juntado para fazer um castelo de areia, enquanto uma buscava água do mar com seu balde amarelo e molhava a areia para que a outra moldasse a fortaleza, outras duas tinham a missão de buscar conchas para enfeitar seu mais novo castelo. Nenhuma delas parecia se importar se havia areia em seu cabelo, ou se estavam sujas, estavam empolgadas demais para isso. Aquela maravilhosa fantasia destoava da imagem de alguns pescadores que ali passavam, um deles tinha seu rosto marcado pelo cansaço e sol constante, que, misturados aos sinais da idade, lhe dava um ar tristonho. Sua camisa de proteção, que em algum momento deve ter sido vermelha, já havia desbotado para um rosa claro e, assim, aquele senhor ia em sua velha embarcação para mais uma caçada ao sustento de sua família. Enquanto uns subiam em barcas de pesca, outros subiam em catamarãs, esses não buscavam peixes, mas sim conhecer as piscinas naturais e suas águas transparentes. Em meio a tantos rostos sorridentes que embarcavam, vi um casal de jovens que levava no colo uma pequenina, que estava claramente entusiasmada com a ideia de “ver os peixinhos”, ela balançava os braços e as pernas em uma mistura de alegria e ansiedade, e seus pais eram contaminados pela animação da pequena. Em algum momento acabei virando minha atenção para um franzino casal de velhinhos que andava a passos lentos, sem pressa alguma, que de mãos dadas pareciam ter unido os corações. Vez ou outra trocavam uma ou duas palavras, mas em regra, andavam em silêncio, como se apenas o sorriso de paz que enchia seus rostos fosse suficiente para substituir quaisquer que fossem as palavras. Seus cabelos prateados dançavam ao mais suave sopro, aproveitando o som das ondas. Ela usava um maiô amarelo, não entendi bem o que estava estampado nele, mas pareciam flores e havia amarrado na cintura uma saída branca que imitava uma saia, essa chacoalhava a cada passo que dava. Ele usava uma camisa branca de manga curta de um tecido leve e uma bermuda azul clara que combinava tão bem, que provavelmente foi ela quem a escolheu pra ele. Naquele momento senti falta de certo alguém, será que aqueles minutos observando o amor de uma vida toda mudaram minhas antigas convicções? Outrora tive certeza de que não queria casar, nem mesmo deformar meu corpo com a maternidade, mas então, como pôde esse casal de velhinhos despertar em mim uma saudade daquilo que jamais tive? Permiti-me mais alguns instantes observando aquele reflexo do céu em terra, me surpreendi cada vez mais com a cumplicidade que eles exalavam quando se apoiavam um no outro para continuar sua caminhada e, confesso ao querido leitor, que naquele momento senti inveja de um pobre casal, que pareciam não ter completa saúde na coluna, mas sem dúvidas, estavam 100% saudáveis em suas almas. Voltei para casa pela mesma orla, deixando aquela imagem sublime para trás, e pedindo a Deus que um dia me desse tal dádiva, o amor.


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ResponderExcluirMinha gente, que lindeza! Kkkkkk a gente já começa orar por esse amor, Amanda! 👏👏👏👏
ResponderExcluirVerdade jessyca
ExcluirQue Texto😍 Parabens Amanda .
ResponderExcluirFicou lindo👏
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