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A cosmovisão da pornografia - Por Karoline Evangelista Paz

 Ao longo da maior parte da história humana, a pornografia foi motivo de vergonha. Principalmente após a década de 1960, sob o contexto da “revolução sexual”, a pornografia ganhou o espaço público como produto cultural. Atualmente, a pornografia é comercializada e até celebrada como fruto da liberdade humana. 

 

Para entender melhor a aceitabilidade da pornografia como produto cultural, pode-se voltar ao Marquês de Sade. Ele pregava que tudo que é natural deve ser aceito como bom, de tal modo que o homem deve buscar satisfazer todos os seus desejos. Um dos ensinos de Sade é que qualquer ato com consentimento entre adultos é natural, bom e não deveria ser proibido. Essa é um dos pressupostos mais fortes da política da pornografia: “se não prejudica ninguém, está tudo bem”. 
 
Em contrapartida, a perspectiva cristã entende que a pornografia é um mal capaz de destruir vidas, relacionamentos e comunidades. A pornografia é fruto da queda e tem resultado em violência, egoísmo, insatisfação, perversão e idolatria. Ademais, a cultura da pornografia é profundamente machista, posto que parte significativa das produções cinematográficas exalta um homem rodeado de diversas mulheres seminuas. O homem é visto como aquele que é dono do poder sexual e deve ser servido por várias mulheres. 
 
A pornografia é uma revolta radical contra Deus e contras suas leis e normas para a família. Além disso, a pornografia reduz o homem à matéria. O homem é visto, meramente, como um animal que evoluiu e deve ser compreendido em termos puramente físicos/materialistas. O homem torna-se apenas pulsão sexual a ser satisfeita por meio de atos libidinosos. Crê-se, nesse sentido, que satisfazer os desejos é o que importa e a boa vida é aquela que satisfaz os “instintos”. É assim que a pornografia reduz o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, a um animal.
 
É possível afirmar que a pornografia é um ídolo cultural que se põe no lugar de Deus e exige sacrifício. O imaginário dos homens e mulheres é capturado, relacionamentos e famílias são destruídos ministérios eclesiásticos ruem, crianças perdem o colorido da vida, manchadas pelas cinzas da pornografia. A pornografia despersonaliza os homens e gera desejos insanos que ferem, causam dor e morte. 
 
Uma visão cristã de mundo nem pode aceitar, nem participar das obras infrutíferas das trevas (cf. Ef. 5.11). Sabendo que não nos é possível impedir a cosmovisão pornográfica com tentativas tais como removê-la da internet, da TV ou do cinema, precisamos ter uma postura de oposição com a cosmovisão bíblica. Precisamos enfrentar a pornografia mostrando a beleza que há em Deus e em suas normas para relacionamentos e famílias harmoniosas. Precisamos mudar o imaginário social com a percepção que só em cumprimento às normas divinas, a vida e relacionamentos humanos florescem ordenadamente. A pornografia é, portanto, um sintoma de um grave problema: um coração, uma mente, na qual Cristo não reina, onde Cristo não é Senhor. Precisamos combater essa cosmovisão com a pregação do evangelho e inserção cultural de um imaginário biblicamente ordenado. 

Quando a cruz de Cristo é observada e quando o Evangelho é conhecido e constantemente relembrado, a pornografia perde seu poder atrativo. Enquanto os manuais de autoajuda ocuparem os púlpitos deixando a Bíblia no banco, enquanto o tempo diante das telas suprimir o tempo de leitura bíblica e oração, enquanto a atenção estiver voltada para séries e mais séries e a seriedade da brevidade da vida e do juízo vindouro não tiverem espaço em uma mente inflada pelo vazio, a pornografia se infiltra em qualquer brecha e escraviza a mente. As consequências não se limitam ao indivíduo, mas se refletem na família, na igreja e na sociedade. 
 
Essa é a escolha que devemos fazer: enxergar a vida através da pornografia ou ter a cosmovisão bíblica. Caso você se encontre algemado pela tirania da pornografia, aproxime-se de Cristo. Ore até que consiga orar, mesmo que você não se sinta digno, a graça de Cristo é maior que o seu pecado. Peça a Deus por arrependimento, invista o seu tempo em encher-se da Palavra de Deus. São as Escrituras que nos revelam a natureza horrível do pecado, o destino daqueles que são escravos do pecado e o poder de Cristo na cruz, que derrotou o poder do pecado e nos tornou livres para dizer não, fortes para vencer as tentações. Se em nós permanece a Palavra de Deus, nós já vencemos o Maligno.
  • Karoline Evangelista Paz é formada em teologia pelo Seminário Congregacional do Nordeste, com pós-graduação em teologia sistemática pelo Centro Presbiteriano de pós-graduação Andrew Jumper (Mackenzie). É fonoaudióloga e doutoranda em Modelos de Decisão e Saúde na Universidade Federal da Paraíba.
Fonte: Ultimato

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