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Dia Nacional do Livro Infantil: a harmonia entre o impresso e o digital - por Edna Gambôa Chimenes

 No dia 18 de abril, comemoramos o Dia Nacional do Livro Infantil no Brasil, uma data que homenageia Monteiro Lobato, um dos maiores expoentes da literatura infantil. É um momento propício para refletirmos sobre o impacto dos livros na formação de nossas crianças e sobre o papel transformador da leitura no desenvolvimento humano. Com o avanço da tecnologia, surgem debates sobre o futuro do livro impresso e o crescimento dos formatos digitais.  


O livro impresso sempre ocupou um lugar especial na educação e na cultura. O cheiro do papel, o toque das páginas, as ilustrações vibrantes — tudo isso cria uma experiência sensorial única, que fomenta a conexão emocional entre a criança e o universo da leitura. Além disso, o ritual de folhear um livro ajuda a criar um ambiente de concentração e imersão, aspectos valiosos em um mundo cada vez mais disperso. 


Contudo, em tempos de transformações tecnológicas, o digital não deve ser visto como um inimigo, mas como um aliado na disseminação da leitura e no encantamento das novas gerações. O formato eletrônico aparece como uma ponte para novas possibilidades. Livros digitais podem ser armazenados em dispositivos leves e acessados em qualquer lugar, favorecendo a democratização do acesso à literatura. Isso é especialmente importante em regiões onde a distribuição de livros físicos ainda é limitada. Além disso, os eBooks podem incorporar recursos interativos, como áudios, animações e links, tornando o processo de leitura mais dinâmico e engajador para as crianças. Afinal, o objetivo maior é atrair leitores, independentemente da plataforma. 


A tecnologia também pode potencializar a inclusão. Livros digitais com narração podem auxiliar crianças com deficiência visual, enquanto fontes ajustáveis facilitam a leitura para aquelas com dislexia. Há ainda aplicativos e plataformas que incentivam a leitura através de jogos, recompensas e desafios, promovendo o interesse de leitores iniciais que talvez não se sintam tão atraídos por formatos tradicionais. 


No entanto, é preciso encontrar um equilíbrio. Assim como o livro impresso jamais deve ser substituído integralmente, os livros digitais também não podem ser apresentados como solução única. A educação e a formação de leitores exigem uma abordagem multifacetada, que considere as individualidades de cada criança, bem como suas realidades sociais. Escolas, famílias e bibliotecas devem trabalhar juntas para promover o acesso a ambos os formatos, criando oportunidades para que as crianças escolham suas preferências e descubram o prazer da leitura. 


O ideal, portanto, é que os dois formatos – impresso e digital – convivam de maneira complementar. De “Marcelo, Marmelo, Martelo”, “O pequeno príncipe” e “O menino maluquinho” até “Malala, a menina que queria ir para a escola” ou “Tem alguém em casa”, os livros infantis e juvenis nos levam a explorar mundos diferentes, a aprender importantes lições de vida e a vivenciar as mais diversas emoções. Cada história, seja impressa ou digital, tem o poder de marcar profundamente nossas memórias e formar os alicerces do nosso imaginário. Afinal, o importante não é o meio, mas a mensagem e o conhecimento que transportamos para o leitor. 


 




*Edna Gambôa Chimenes é graduada em Letras, Pedagogia e Tecnologia em Comunicação Institucional, mestre em Estudos de Linguagens e tutora dos cursos de Pós-Graduação na Área de Comunicação do Centro Universitário Internacional Uninter. 


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