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Opinião | Dia do Escritor: como celebrar as letras em um país que pouco lê? - por Jénerson Alves

 "Não leio." Essa foi a resposta de muitos estudantes a uma pergunta sobre suas preferências literárias, em um questionário que realizei há algum tempo, em uma das escolas por onde lecionei. Isso reflete uma realidade nacional. A última edição da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" mostrou que 53% da população brasileira se declara "não-leitora", ou seja, não possui o hábito de ler regularmente. Tal cenário, a um tempo, gera lamento e inspira mudanças. 


A reflexão sobre a leitura adquire novos contornos ao levar-se em conta que em 25 de julho é comemorado o Dia Nacional do Escritor. Essa data, escolhida em 1960 pelo ex-ministro da Educação e Cultura, Paulo Penido, tem como objetivo celebrar os grandes talentos da literatura brasileira. Neste contexto, eclode a indagação: como celebrar as letras em um país que lê pouco?


Essa pergunta não possui uma resposta simples, mas aponta para a necessidade de ampliar a população leitora. Talvez um dos caminhos seja apostar na variedade de suportes literários. Para além do formato clássico do livro físico, a digitalização tem gerado um impacto significativo na relação entre o leitor e as obras. Por exemplo, os livros podem estar presentes em celulares e tablets, seja em formato pdf, seja como faixas de áudio.


Dados da Global View Research preveem um crescimento anual de 25% no mercado de audiolivros. Embora a forma tenha sua importância, o foco no conteúdo poderá conectar mais leitores ao vasto universo da leitura. É o gosto pelo saber que precisa ser ativado, sobretudo nas crianças e adolescentes - ressaltando que cada geração possui suas peculiaridades quanto às formas de aprender. 


Celebrar as letras é estimular o (auto)conhecimento, logo, um exercício que conduz à liberdade. Ensina-nos o padre Vieira que, assim como conviver com pessoas virtuosas gera hábitos virtuosos, ler bons livros gera bons aprendizados. A partir da leitura, diz-nos Vieira, "forma-se o espírito, nutre-se a alma com bons pensamentos; e o coração vem por fim a experimentar um prazer tão agradável que não há nada com que se compare; e só o sabe avaliar quem chegou a ter a fortuna de o possuir."


Jénerson Alves é professor de Língua Portuguesa, poeta e jornalista

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