"Meus textos usam IA, meu pensamento, não": a frase que sacudiu o jornalismo brasileiro e por que ela importa para todo profissional de comunicação
Um escândalo na maior redação do Brasil, dois profissionais em lados opostos e uma pergunta que ninguém mais pode ignorar: você sabe mesmo o que está fazendo com a inteligência artificial?
Em 7 de fevereiro, a ombudsman da Folha de S. Paulo revelou que textos da colunista Natalia Beauty eram produzidos com apoio de inteligência artificial. Questionada, a própria colunista confirmou o uso da ferramenta e afirmou que o conteúdo, opinião e responsabilidade eram dela. A apuração deixou explícito que o jornal não proíbe a tecnologia e admite seu uso, transformando um caso individual em debate público sobre autoria, transparência e limites profissionais.
A discussão ganhou outra dimensão quando o escritor Sérgio Rodrigues reagiu dizendo que ideias podem ser comuns, mas a formulação com linguagem própria continua sendo tarefa humana. O contraste entre as duas posições expôs a tensão central do mercado: IA como instrumento de eficiência versus risco de esvaziamento intelectual.
O tema saiu das redações e alcançou assessorias, agências e departamentos de marketing, onde a adoção acelerada muitas vezes ocorre sem método, critério ou domínio técnico.
Nesse cenário, a questão deixou de ser se a IA será usada e passou a ser como ela será usada com responsabilidade estratégica. A lacuna entre utilizar ferramentas e saber operá-las com consciência profissional já impacta qualidade, reputação e competitividade. É justamente para enfrentar essa distância entre uso e competência que surge a Imersão em IA para Comunicação & Marketing, programada para março no Recife.
FORMAÇÃO PRÁTICA NA CESAR SCHOOL
A jornalista pernambucana Wanessa Andrade, mestre em Estudos de Internet pelo ISCTE, em Lisboa, e radicada em Portugal, retorna ao Recife para liderar o curso presencial nos dias 14 e 21 de março na CESAR School, no ecossistema do Porto Digital, no Bairro do Recife. Serão quatro módulos de três horas cada.
“Muita gente já ouviu falar em inteligência artificial, mas ainda não sabe como aplicar no fluxo de trabalho”, explica Wanessa. “A proposta é mostrar onde a IA entra na rotina, como orientar comandos, estruturar narrativas e transformar tempo economizado em ganho estratégico.” E, acrescenta ela, como fazer isso sem perder de vista o que o caso da Folha escancarou: que a IA é ferramenta, não substituta do pensamento humano.
QUATRO MÓDULOS, QUATRO ESPECIALISTAS:
O programa cobre a cadeia completa da comunicação contemporânea com IA.
Wanessa Andrade conduz o módulo Narrativas que conectam IA a pessoas, com foco em storytelling estratégico, construção de mensagens, adaptação de linguagem e uso da IA como apoio editorial e estratégico na comunicação institucional, no jornalismo, na publicidade e na produção de conteúdo digital. Exatamente a fronteira que o debate em torno da Folha colocou em evidência.
Gabriel Chamie, gestor de inovação e empreendedorismo na Prefeitura do Recife e cofundador da plataforma BEG, assume o módulo de engenharia de prompts e domínio técnico das ferramentas para o participante saber não apenas usar a IA, mas orientá-la com precisão. Afinal, como ficou claro no caso Natalia Beauty: o prompt importa tanto quanto o resultado.
Marcos André, fotógrafo e filmmaker com mais de 13 anos no mercado criativo com campanhas para Heineken, Ambev e PixBet no currículo, conduz o módulo de produção audiovisual inteligente, explorando criação de imagem e vídeo com IA de forma estratégica e autoral. Ele é criador dos perfis @essediafoifoda e @essediafoicopa.
Anselmo Albuquerque, publicitário com duas décadas de experiência, premiado pelo Ampro Globes Awards como Melhor Profissional de Planejamento e atual CEO da Lean Agency, fecha o ciclo com o módulo de Estratégia e Conversão, construindo pontes entre dados, automação e posicionamento de marca com resultado real.
PARA QUEM É A IMERSÃO
A imersão é destinada a jornalistas, assessores de imprensa, profissionais de marketing, criadores de conteúdo, gestores, empreendedores e lideranças que precisam incorporar a inteligência artificial aos processos de comunicação, produção e planejamento.
A Folha de S. Paulo não errou por usar IA. O problema, como a própria ombudsman reconheceu semanas depois, foi a ausência de transparência e de formação para usar a tecnologia com responsabilidade e critério. Essa é a diferença entre quem vai liderar a transformação e quem vai ser varrido por ela. A imersão existe para que essa escolha seja consciente.
SERVIÇO
Imersão em IA para Comunicação & Marketing
Datas: 14 e 21 de março
Formato: presencial
Inscrições: Imersão em IA para Comunicação & Marketing em Recife — Sympla.
Local: CESAR School, Recife
Vagas limitadas.

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