O fim da Operação Lava Jato e o desfecho da CPMI do INSS revelam mais do que episódios isolados: expõem um padrão recorrente na política brasileira, onde grandes escândalos de corrupção começam com alarde, mobilizam a opinião pública, mas terminam diluídos em conveniências políticas e acordos de bastidores.
A Lava Jato, que um dia simbolizou o maior enfrentamento à corrupção sistêmica no país, foi gradualmente esvaziada. O que antes era apresentado como um divisor de águas acabou sendo desmontado peça por peça, sob argumentos jurídicos, institucionais e até políticos. Já a CPMI do INSS, que deveria lançar luz sobre fraudes e desvios envolvendo recursos destinados aos mais vulneráveis, seguiu um roteiro semelhante: começou cercada de expectativa, mas terminou sem o impacto proporcional à gravidade dos fatos investigados.
A analogia entre os dois casos é inevitável. Ambos representam a promessa de justiça que se transforma em frustração coletiva. É como assistir a dois incêndios de grandes proporções sendo combatidos com holofotes e muita luz, muita exposição, mas pouca água para realmente apagar as chamas. No final, o fogo diminui não porque foi controlado, mas porque deixou de ser conveniente mantê-lo aceso.
Quando escândalos dessa magnitude perdem força antes de gerar consequências estruturais, o que se transmite à sociedade é uma mensagem perigosa: a de que o sistema político tem mecanismos suficientes para se proteger, independentemente de quem esteja no poder. E isso fragiliza não apenas a confiança nas instituições, mas também a própria ideia de responsabilização.
Mais grave ainda é perceber que, em ambos os casos, quem paga a conta é sempre o cidadão comum. Seja através de bilhões desviados, seja pela corrosão da credibilidade pública, o prejuízo é coletivo. E enquanto isso, o ciclo se repete: investigações que começam com força, narrativas que se transformam, e finais que deixam mais dúvidas do que respostas.
No fim das contas, o que deveria ser exceção o enfraquecimento de mecanismos de combate à corrupção, acaba se tornando regra. E isso não é apenas um problema de governo, mas de um sistema que, ao invés de corrigir suas falhas, frequentemente encontra maneiras de conviver com elas.
Nunca uma frase foi tão atual quanto o verso de 1987 da Legião Urbana: “Que país é esse?”. Décadas depois, a pergunta permanece e, infelizmente, a resposta todos nós já conhecemos.
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