Em 1995, a Unesco instituiu que 23 de abril é o Dia Mundial do Livro. A referência aos livros parece nadar contra a maré de ignorância generalizada que se vê na atualidade e testificar uma realidade: ler importa, sim.
A 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” revelou que 73% dos brasileiros não leram nenhum livro (impresso ou digital), um percentual que corresponde a 148 milhões de pessoas. O estudo mostrou que o brasileiro, embora reconheça na leitura um veículo de desenvolvimento pessoal, não a considera uma atividade prazerosa. Aí reside o problema.
Debalde será toda carga de investimentos públicos em escolas, inútil será a universalização do acesso ao sistema escolar, inócuos serão os aumentos nos índices de Educação, se não florescer nas crianças e nos jovens o fecundo prazer pela leitura. E tal conquista não se obtém por osmose, tampouco por decreto. É preciso implementar métodos e modos eficientes, além de investir nos docentes e nas escolas. Para tanto, deve-se curar males crônicos da nossa Educação, os quais já são amplamente conhecidos.
Devem as novas gerações compreender que nem todo prazer está relacionado a telas, música ou sensualidade. Também o cérebro regozija-se. E dessa alegria nasce a aspiração à ciência, às artes, à religião, à filosofia, à política. Do refinamento educacional vem a fome por contribuir na sociedade, o anseio por deixar um legado maior do que a própria vida.
Há aqueles que se opõem a esse ideal, chamando-o de utópico ou argumentando que não há interesse dos governantes (de qualquer ordem) na construção de uma sociedade instruída. Permaneço crendo na possibilidade de um país melhor. Aos contrários, respondo-lhes fazendo coro a Feliciano Castilho: “Por qualquer sistema que aspireis a encaminhar os homens para a felicidade, se procedeis de boa fé e honradamente, não deveis ter medo das cabeças que sabem e discorrem. Recear-se dos instruídos é fazer contra si próprio o mais injurioso depoimento.”
Jénerson Alves é professor, jornalista e poeta
Foto: Freepik

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