Especialista em Marketing Estratégico, a professora Jéssica Maria concedeu entrevista exclusiva ao Blog Conexão Caruaru, falando sobre os segredos do storytelling. Ela ministrará, nos dias 20 e 21 de maio, um curso sobre esse assunto na AssembleiaLegislativa de Pernambuco. As inscrições são gratuitas e seguem abertas, disponíveis na bio do Instagram @escoladolegislativope. Confira a entrevista:
CONEXÃO CARUARU – Para criar um storytelling eficaz, é necessário “criar um personagem” ou essa construção narrativa pode ser baseada na realidade, nas experiências pessoais?
JÉSSICA MARIA – Não é necessário criar um personagem, embora isso possa ser estratégico dependendo do posicionamento da marca. Quando falamos da aplicação do storytelling nos conteúdos digitais, estratégia cada vez mais utilizada pelas marcas, acredito muito na construção narrativa baseada na realidade, nas vivências e experiências de quem conduz aquela marca.
Isso gera conexão verdadeira, identificação e proximidade com o público. Costumo dizer que quanto mais genuína é a comunicação, mais forte e qualificada tende a ser a relação construída com as pessoas. Em um mercado tão competitivo como o que estamos atravessando, relacionamento é um dos maiores diferenciais de uma marca.
CONEXÃO CARUARU – Algumas pessoas acreditam que storytelling é um conhecimento útil apenas para as redes sociais. Esse pensamento é coerente ou o storytelling vai além dessas fronteiras?
JÉSSICA MARIA – O storytelling vai muito além das redes sociais. Eu considero essa estratégia um dos pilares fundamentais da comunicação e do marketing de uma empresa.
No curso que será realizado na Alepe, nos dias 20 e 21 de maio, vou trazer exemplos práticos dessa aplicação em diferentes contextos. O storytelling atravessa toda a construção de uma marca: cultura organizacional, posicionamento, liderança, relacionamento com equipe, experiência do cliente e percepção de valor.
Quando uma empresa entende a força da narrativa, ela deixa de apenas comunicar sua história e passa a gerar significado por meio dela. Isso também acontece no offline. Marcas pessoais e empresas que conseguem alinhar discurso, comportamento e experiência criam memórias atemporais nas pessoas. E memória é algo extremamente poderoso no mercado, porque conexão emocional gera reconhecimento, confiança e permanência.
CONEXÃO CARUARU – Os arquétipos, na psicologia, são imagens e padrões de comportamento. Como esse conteúdo pode contribuir para o ambiente do mercado de trabalho?
JÉSSICA MARIA – Identificar o arquétipo dominante de uma marca e reforçá-lo na comunicação verbal e não verbal faz total diferença na forma como ela será percebida no mercado.
Os arquétipos ajudam empresas e profissionais a construírem uma identidade mais consistente, coerente e memorável. Isso impacta diretamente no posicionamento, na forma de se comunicar, na estética, no comportamento e até na maneira como o público cria vínculo com aquela marca. Quando existe clareza sobre a essência da comunicação, as conexões se tornam mais assertivas e autênticas.
Além disso, os arquétipos ajudam marcas a despertarem sensações específicas nas pessoas. Algumas transmitem acolhimento; outras, inovação, autoridade, exclusividade ou inspiração. Tudo isso influencia na percepção de valor e no espaço que aquela marca ocupa na mente do consumidor.
CONEXÃO CARUARU – As organizações, atualmente, vêm utilizando recursos de storytelling. Porém, de que forma pode ser útil ao consumidor compreender essas ferramentas?
JÉSSICA MARIA – Transparência e ética são fundamentais nesse processo. Quando o consumidor entende como o storytelling funciona, ele também desenvolve um olhar mais consciente sobre a comunicação das marcas.
Compreender essas estratégias permite que o público consiga diferenciar uma narrativa construída apenas para gerar impacto momentâneo de uma comunicação realmente alinhada aos valores e práticas daquela empresa. Isso fortalece relações mais honestas entre marcas e consumidores.
Ao mesmo tempo, quando utilizado de forma ética, o storytelling deixa de ser apenas uma técnica de venda e se transforma em uma ponte de conexão humana. E acredito que é exatamente isso que as pessoas mais buscam hoje: marcas que comuniquem com verdade, sensibilidade e propósito.

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