Cosmopolita, vocacionada ao comércio, celeiro cultural. Inúmeros são os sintagmas que caracterizam Caruaru, ou melhor, a Capital do Agreste. O município, que completa 161 anos de emancipação política, atualmente é destaque nas mais diversas áreas, da economia às artes. No entanto, o que pouca gente sabe é como aconteceu o início de Caruaru. Por isso, ConTexto faz uma viagem no tempo para contar como se deu o ‘nascimento’ da Princesa do Agreste.
Vamos para o final do século 17. Tudo começou quando a
família Rodrigues de Sá tomaram posse das terras no Vale Médio do Ipojuca,
dando início às primeiras fazendas de gado da região. Um desses sítios ficava na
margem esquerda do Rio Ipojuca e era chamado Sítio Fazenda Caruru. Esse sítio
foi fundado por Simão Rodrigues de Sá. Ele viria a ser avô de José Rodrigues de
Jesus (considerado fundador de Caruaru).
Simão Rodrigues, posteriormente, viria a casar-se “com
uma moça da família Aquina Duro” – como pontua o historiador Nelson Barbalho.
Eles tiveram um filho, chamado Simão Rodrigues Duro. Com o passar do tempo,
Simão casou-se e teve três filhos, José, Joaquina e Maria da Conceição
Rodrigues de Jesus.
Porém, por volta dos anos de 1770, tanto Simão
Rodrigues quanto a esposa morreram por razões ignoradas. Nesse período,
Joaquina havia se casado e morava no Sítio Juriti. Assim sendo, José Rodrigues
e Maria da Conceição foram morar com a irmã mais velha, deixando a Fazenda
Caruru abandonada por um tempo. Segundo estudiosos, a fazenda, o curral e a
casa grande do Sítio Caruru se localizavam nas imediações das atuais ruas
Vigário Freire, Sete de Setembro, Tobias Barreto e Praça João Guilherme.
Pois bem; em 1781, houve o casamento de José Rodrigues
de Jesus com a sua sobrinha, Maria do Rosário Nunes, filha de Joaquina. Na
época, ele tinha 25 anos e ela 13. Após o matrimônio, eles passaram a morar na
Fazenda Caruru. “O namoro de José Rodrigues de Jesus com a sobrinha (...), por
não haver concordância dos demais membros da família, redundou em fuga e em
casamento”, especula o historiador Josué Euzébio Ferreira, no livro ‘Ocupação
Humana do Agreste Pernambucano’ (Edições Fafica, 2001).
José Rodrigues decidiu construir uma capela em sua
propriedade em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, da qual era devoto. A
construção da capela teve início em 1781, mas só foi inaugurada em 5 de outubro
de 1782. A maior parte dos historiadores concorda que o crescimento de Caruaru
só foi possível graças à existência dessa capela, o único lugar no vale médio
do Ipojuca, além de Bezerros, onde os moradores de todas as redondezas poderiam
acompanhar um ato religioso celebrado por uma autoridade oficial da Igreja
Católica.
Início da Feira
Documentos históricos dão conta que nos anos iniciais
do século 19, a Fazenda Caruru já era um povoado com cerca de mil habitantes.
Um diferencial ocorria nos dias de cerimônias
religiosas, quando o fluxo de pessoas vindas de vários lugares era maior. Dessa
forma, comerciantes passaram a aproveitar a oportunidade para vender
mercadorias agrícolas, artesanais e artefatos religiosos, entre outros itens,
fazendo nascer a feira, em frente ao pátio da Capela de Nossa Senhora da
Conceição.
Elevação à Vila
Com o desenvolvimento da feira, apareceram novas
construções no lugar. Os sobrados onde as famílias mais abastadas habitavam o
primeiro andar e, no térreo, os chefes de família mantinham lojas de tecidos,
louças, especiarias.
Esse desenvolvimento urbano natural do lugar foi o
fator principal para a elevação da localidade à condição de vila, no dia 16 de
agosto de 1848.
De Vila à Cidade
No dia 18 de maio de 1857, a Vila de Caruaru foi
elevada à condição de cidade. O jurista Francisco de Paula Baptista
(1811-1881), que na época era deputado provincial, foi o autor do projeto, que
fez de Caruaru a primeira cidade do Agreste pernambucano. “Nada indica que [a
elevação à categoria de cidade] tenha sido fruto de um movimento dos moradores
locais que sintetizasse a vontade e o interesse da população e fosse também um
instrumento de pressão junto à Assembleia Legislativa Provincial, mostrando que
a sociedade caruaruense de então tinha se organizado e lutado para isso, uma
vez que Caruaru já era um núcleo importante na região e, portanto, merecedora
de tal título”, pontua Josué Euzébio, na obra anteriormente citada.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), atualmente Caruaru conta com uma população estimada de 356.128 pessoas, em uma área de 920,61 km² . Sua influência estende-se para além das fronteiras da unidade habitacional, configurando-se como um polo econômico, educacional e de saúde para o Agreste.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), atualmente Caruaru conta com uma população estimada de 356.128 pessoas, em uma área de 920,61 km² . Sua influência estende-se para além das fronteiras da unidade habitacional, configurando-se como um polo econômico, educacional e de saúde para o Agreste.
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