“A cantoria é uma forma de arte que deve ser acessível e cativante”, declara o repentista Jaciel Rufino
Um dos poetas que mais vêm se destacando no mundo da cantoria, Jaciel Rufino conquista o público através de sua voz melodiosa e versos simples e criativos. Ele foi uma das atrações do Polo do Repente Poeta Lídio Cavalcanti, no São João de Caruaru, e conversou com a equipe do Blog Conexão Caruaru sobre a sua carreira e sua visão acerca do contexto atual da cantoria de viola. Confira:
CONEXÃO CARUARU – Conte-nos um pouco sobre sua trajetória e o início de sua relação com a viola…
JACIEL RUFINO – Minha carreira profissional consolidou-se a partir de 2018, quando fui convidado pelo poeta Peneira do Nordeste — primo do poeta Biu Dionísio — para integrar a programação de uma rádio FM em Vitória de Santo Antão. Contudo, o aprendizado prático com a viola remonta a 2015. Foi a partir de 2018 que passei a viver exclusivamente da cantoria. É, portanto, uma trajetória ainda recente no cenário.
CONEXÃO CARUARU
– Considerando a evolução da cantoria, que transita entre
o rigor do conhecimento técnico e o poder de emocionar o público,
como você avalia a prática atual? E como você se insere nesse
contexto?
JACIEL RUFINO – Vejo a cantoria como uma
forma de arte que deve ser acessível e cativante. No passado,
existiam cantorias extremamente formais, quase inacessíveis ao
público leigo. Hoje, acredito que o essencial é cantar de forma
compreensível. Em um público de cem pessoas, a grande maioria pode
ser de trabalhadores rurais ou pessoas com pouco acesso à educação
formal. Observo, inclusive, que os repentistas que adotam uma
linguagem mais clara são frequentemente os mais requisitados.
CONEXÃO CARUARU
– Você também se destaca pela habilidade em mesclar o
repente com canções populares. Como enxerga essa união entre a
música e o improviso?
JACIEL RUFINO – Antigamente,
havia certo conservadorismo; inserir canções no meio do repente era
alvo de críticas por parte de alguns poetas. No entanto, o público
tornou-se mais eclético. Tive a coragem de introduzir músicas
consagradas entre os versos improvisados, e a aceitação foi
excelente. Hoje, grandes nomes, como Charles Gomes, também fazem
essa mescla, e o público responde positivamente. O segredo é manter
a qualidade: o repente permanece como o pilar principal, mas a canção
agrega valor, desde que escolhidas com critério e alinhadas às
nossas raízes, como as obras de Zezé di Camargo & Luciano,
Chico Rey & Paraná ou Gino & Geno.
CONEXÃO CARUARU
– Esta é sua segunda participação no Polo do Repente do
São João de Caruaru. Qual a importância de se apresentar neste
palco?
JACIEL RUFINO – Para mim, é uma emoção
indescritível. Antigamente, eu acompanhava os festivais daqui apenas
pelo YouTube e nutria o desejo de um dia subir neste palco. Devo
muito ao poeta Hipólito Moura, que foi fundamental no meu
desenvolvimento e me abriu as portas em Caruaru. O público daqui é
extremamente participativo; a energia do local é diferenciada,
respira-se poesia.
CONEXÃO CARUARU
– Como o público pode acompanhar o seu trabalho e entrar em
contato com você?
JACIEL RUFINO – Anteriormente,
mantive um programa de rádio desde 2018, mas decidi encerrar essa
atividade devido aos riscos e à logística das viagens de madrugada.
Atualmente, concentro minha presença digital no Kwai, TikTok e
Instagram, pelo perfil @jacielrufino. Embora eu não possua um canal
próprio no YouTube, muito do meu material é compartilhado pelos
admiradores. Para contatos, o telefone é (81) 99515-4955.
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